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Tunis em momentos cotidianos

Fui à Tunísia a convite da Maha, uma amiga tunisiana que conheci na Índia. Desci de Civicaveccia, na Itália, até Tunis de barco (veja post) e me hospedei na casa dos Chairi, onde vivem os avós no andar de baixo e a família nuclear da Maha no andar de cima. Maha e Yosra, sua irmã, tomaram como missão me levar por todos os lugares de Tunis e região, o pai, ativista político pró-democracia na Tunísia, me explicou diversas questões do país e a mãe, ainda que não fale inglês, português ou espanhol (na Tunísia fala-se árabe e francês), sempre cozinhava comidas maravilhosas para mim e me tratava com muito carinho. Me senti mais do que em casa ❤

polícia no centro

A Tunísia foi o primeiro país do que mais tarde foi chamado de Primavera Árabe. Em 2010, eles conseguiram colocar para correr o ditador que dominava o país há 23 anos e começaram um processo de redemocratização que, infelizmente, ainda não está completo. Mas comparando com outros países da Primavera Árabe, como Egito, Líbia e a calejada Síria, a Tunísia está até bem, com muita gente de olho na política do país e conseguindo conter os avanços dos islamistas e conseguindo manter o estado laico (por enquanto…).

Maha, Taoufik e Yosra

Maha, Yosra e Taoufik Chairi 🙂

A família da Maha é formada por aquele tipo de muçulmanos relaxados e racionais como tantos católicos no Brasil que são a favor da camisinha e da diversidade sexual e também é muito engajada politicamente. O pai dela é jornalista de formação, ainda que hoje tenha um escola de gastronomia (double score pra mim!). Minhas amigas participaram ativamente dos protestos no centro de Tunis que culminaram na fuga do ditador Ben Ali para a Arábia Saudita. E eles também são negros. No magreb, a “áfrica branca”, ser negro é ser alvo de diversas formas de racismo (que não é ilegal no país). Foi muito interessante estar lá na Tunísia nesse momento, com ótimos guias para me explicar o que estava acontecendo.

Quando estive na Tunísia houveram diversos protestos contra os EUA por causa de um vídeo no youtube que zoava do profeta Maomé. Relembre aqui (em inglês). O vídeo é esse aqui (não vou postar, mas quem quiser ver tem o caminho).

Não tive nenhum problema real nem fui envolvida em qualquer tipo de conflito violento, mas os vestígios dos protestos podiam ser notados na presença de policiais por todo lado perto da hora da oração de meio dia de sexta-feira (um momento importante para os muçulmanos e muito utilizado pelos islamistas para protestar e reagir violentamente) e pelos carros queimados encontrados aqui e ali:

carro pós protestos

Fora esses sinais de violência, minha estadia na Tunísia foi só alegria. Tunis, a capital, é na verdade diversas cidades conurbadas, cada uma com suas comidas típicas, hábitos, estilo arquitetônico e população diferentes. Como fui levada muitas vezes de carro de um lado para o outro, as maiores lembranças que carrego comigo são de longas rodovias e viadutos conectando mundos diferentes, das ruínas pré-românicas de Cartago à praia onde ficam os judeus, em La Goulette.

hendi, a fruta maldita

Essa fruta que nasce dos cactus parece inofensiva, bonita, apetitosa, mas CUIDADO! Sua casca causa irritação forte na pele! Mas ainda sim é deliciosa. Para provar a hendi, proteja-se da casca maligna usando um saco plástico na mão para retirá-la – ou, se você é desses, compre-a já descascada. Sem emoção, rs.

comidas <3

Ojja – um prato típico tunisiano feito com ovos, merguez (salsicha feita de cordeiro ou carne de vaca), tomates, cebolas e MUITA pimenta – como todas as comidas da Tunísia. Uma delícia (se você consegue lidar com a picância!) que é comida com pão usando as mãos. Se parece muito com o Melemen, meu prato turco favorito, mas tem mais caldinho, rs.

Maha e Yosra me apresentaram três amigos seus e fomos à casa de um deles preparar esse prato, jogar conversa fora, fumar narguilê e dançar Rihana. Juventude típica 🙂

panela de cuscuz

Panela gigante de fazer cuscuz

Também guardo no coração o carinho que recebi da família Chairi e seus amigos, o gostinho aconchegante do cuscuz de domingo (que poderia ser o equivalente ao estrogonofe de sábado da minha família), as risadas infinitas, os problemas compartilhados quase idênticos, os mesmos anseios, ainda que tenhamos crescido em mundos tão diferentes. Um sonho: hospedar a Maha na minha casa e poder dar a ela o mesmo carinho que recebi!

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