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Uma noite no Mediterrâneo (na verdade, duas)

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Uma amiga muito querida que conheci na Índia me convidou pra ir visita-la e a sua família em seu país natal: a Tunísia. Como recusar casa, comida e amor grátis assim, além de ir conhecer um país completamente diferente do que eu já tinha visto antes? I said yes, yes, yes.

Para chegar até Tunis, a capital da Tunísia, resolvi esquecer que existe avião e ir por terra. Ou melhor: por mar. Peguei em Civitaveccia (perto de Roma) um ferry com a empresa italiana Grandi Navi Veloci, uma das duas que fazem o trajeto (a outra é a Grimaldi, os preços variam pouco).

Comprei uma passagem com acomodação em um quarto feminino com 4 camas. Havia um banheiro, onde tomei um banho quente gostoso, mas a falta de janelas era claustrofóbica. Levei comida, mas no restaurante do navio parecia haver opções decentes (porém caras). Minha passagem custou 250 euros, mas por 50 você vai da Sicília até Tunis no convés – bem mais em conta e nem precisa de cama, já que é uma viagem que dura menos de 12 horas.

Foram 27 horas de ferry até o porto de Tunis, 12 delas parada em Palermo, capital da Sicília. Erro: não sabia que ia ficar tanto tempo parada lá, ou teria saído do navio para comer uns canolli. Nhammmm!

O navio sai às 6 da tarde, passamos a noite no mediterrâneo, paramos de manhã em Palermo, saímos de novo à tarde e chegamos a Tunis à noite.

Foi, no geral, uma viagem tranquila. Na primeira parte dela havia muitos turistas italianos indo passar uns dias na Sicília. Grupos de talianos que tocavam música alta, bebiam bastante, e homens cantavam as meninas. Na segunda parte da viagem, o navio se encheu de famílias muçulmanas com seus tapetes espalhados pelo chão, que ouviam música alta, comiam bastante e homens que cantavam as meninas. Nada muito diferente, como se vê, mas o clima era de segurança, não me senti constrangida pelas cantadas nem dos italianos nem dos tunisianos.

Aliás, um caso de viagem: um cara italiano da tripulação do ferry veio com uma conversinha fiada pra cima de mim. Não falava nem inglês, nem espanhol nem português (e eu não falo italiano), mas conseguimos ter uma conversa de dez minutos. Ele me deixou muito confusa: era belo, porém fazia as sobrancelhas como uma drag queen. Como lidar? Pois é, deixei as estrelas do convés e fui dormir antes que o marinheiro-drag-gato tentasse alguma coisa.

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As estrelas vistas do meio do Mar Mediterrâneo! Ah, as estrelas..! Havia um ponto de luz forte que não souberam me dizer o que era. Estávamos muito longe da terra para ser a Europa ou a África. Concluí que era a Lua, ainda escondida no horizonte.

Outro ponto alto foi ler Moby Dick durante o trajeto. Achei um cantinho sossegado, silencioso e com pouco vento no convés e mergulhei na leitura sobre o capitão Ahab e sua obsessão.

Acho que poderia ter feito amigos no navio, mas escolhi me isolar. Haviam sido tantos dias de sociabilidade na Itália que eu me dei uma férias de simpatia.

Ainda bem, porque simpatia foi uma presença CONSTANTE na Tunísia. Aguardem os próximos posts 🙂

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  1. […] uma amiga tunisiana que conheci na Índia. Desci de Civicaveccia, na Itália, até Tunis de barco (veja post) e me hospedei na casa dos Chairi, onde vivem os avós no andar de baixo e a família nuclear da […]



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