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O imperdível (e o perdível) de Buenos Aires

Buenos Aires não é o destino mais exótico do mundo para nós brasileiros. Quem nunca foi, conhece ao menos um amigo ou parente distante que já foi e voltou cheio de histórias: de como lá é um paraíso das compras, que as pessoas são estilosas, que foram assaltados, que viram um show de tango sensacional, que os cafés são deliciosos, etc etc etc.

Algumas dessas histórias continuam sendo verdade: no geral, as argentinas – e os argentinos – têm cabelos com cortes muito diferentes dos nossos e são mais hispters, se você esquecer que está num país de terceiro mundo existe mesmo o risco de levarem sua carteira quando você não estiver olhando e até o cafezinho do hostel mais vagabundo vai ser melhor que muito café espresso no Brasil. Só que nem todas as maravilhas que falam por aí valem a pena de verdade.

Abaixo, uma lista de coisas que “todo mundo faz” que você pode deixar pra lá e algumas atividades que vão fazer valer o seu tempo na capital argentina.

IMPERDÍVEL:

– MALBA

O Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires, localizado no Bairro Parque, é bonito, moderno, tem exposições intinerantes com artistas latinoamericanos contemporâneos de renome e um acervo interessantíssimo. Sabe o Abaporu (foto acima, tirada clandestinamente), da Tarsila do Amaral? Tá lá. Eles também têm um autorretrato da Frida Khalo (aquela mexicana que se desenhava com um bigode), um par de obras do brasileiro Hélio Oiticica, outro da Lygia Clark, uma parte só pros quadrinhos do Xul-Solar (um argentino que eu não conhecia, mas que tem até museu próprio em Buenos Aires), um Botero (o colombiano que pintava todas as pessoas gordinhas) e outros artistas que batem carimbo nos livros de história da arte.

Além do museu em si, o prédio é megamoderno e bonito e o café (apesar dos preços salgados) vende comidas deliciosas! Se você não tem pesos sobrando (como eu), peça um café espresso. Ele é bem tirado, vem com um pedacinho de bolinho macio e delicioso e não custa um fígado e dois rins.

Avenida Figueroa Alcorta, 3.415 (não tem metrô muito muito muito perto, mas dá pra descer na estação Scalabrini Ortiz da linha D e descer alguns quarteirões pelo bairro Parque, que é muito bonito)

Abre de quarta a segunda, das 12h às 20h. (na quarta ele fica aberto até as 21h)

Entrada: 24 pesos. Estudantes, aposentados e professores com comprovante pagam meia entrada (12 pesos argentinos). Menores de 5 anos não pagam. Às quartas, o valor da entrada é reduzido pela metade.

Mais informações: http://www.malba.org.ar/web/home.php

– Centro Cultural Recoleta

Equipado com mais de 13 salas de exposições, esse centro cultural consegue expor, ao mesmo tempö: fotos suecas com a temática “suicídio”, páginas de um colorido livro infantil sobre comida e uma instalação com sons e imagens desconexos (não consegui entender, sorry). A arquitetura do Centro reflete esse caráter plural. Ele é uma das primeiras construções de Buenos Aires e vale por si só a visita. Dá pra notar os diversos estilos arquitetônicos, algumas vezes dissonantes (foto acima – oi!?) e descansar nos pátios internos do edifício principal (que já funcionou como convento).

Rua Junín, 1.930 (ao lado do cemitério da Recoleta)

Abre todos os dias, de 12h às 21h de segunda a sexta e de 10h às 21h aos sábados, domingos e feriados.

Entrada franca.

Mais informações: http://centroculturalrecoleta.org/ccr-sp/

– Um passeio pelo delta do Tigre

O rio Tigre é um dos vários pequenos afluentes do Rio de La Plata que têm um delta nos arredores de Buenos Aires. É uma cidadezinha fofa, muito próxima à capital, de onde se pode tomar uma lancha (foto acima) para passear pelas ilhas formadas pelo rio. Enquanto aqui no Brasil as pessoas têm sítios e casas na praia, os porteños ricos têm casas em Tigre, para onde vão quando o calor em Buenos está insuportável. Existem cerca de 9 mil pessoas morando em Tigre, muitas delas nas pequenas ilhas, às quais só se pode chegar de barco. Um charme. Um amor. Um dia de campo e tranquilidade depois de vários passeios urbanóides.

Para chegar, tome um trem na Estação Retiro (no centro de Buenos Aires). O trem custa 2,70 pesos (ida e volta).

Uma vez lá, o melhor passeio é com a lancha-colectiva (16 pesos para turistas que não descerem da lancha. Elas são os ônibus pra quem mora nas ilhotas do Tigre). Mas no fim de semana do verão a cidade recebe tantos turistas que as empresas só oferecem o passeio turístico de uma hora mesmo (40 pesos, com guia). A não ser que você consiga ser convidado para passar a tarde numa casa “de campo” de um amigo porteño, claro 😉

Não deixe de passear pelo Museo de Arte de Tigre (foto acima, uma coisa MARAVILHOSA), pelas ruas pequenas e simpáticas do continente, pelo Parque de La Costa (um dos maiores parques de diversão da América Latina), pelo cassino (se vc curte) e pelo Mercado de Frutos (onde se vende de tudo). O lado esquerdo (saindo da estação de trens) é mais pacato e o lado direito é onde estão o parque, cassino, mercado, porto, etc.

– La Bomba de Tiempo

Buenos Aires pode até não ter muitos negros (ou seria mais correto dizer que NÃO TEM NENHUM?), mas o ritmo africano é muito bem representado por este grupo que cria verdadeiros transes coletivos nas apresentações que faz. É um programa que atrai turistas e locais numa festa muito louca, que acontece tradicionamente às segundas feiras no Centro Cultural Konex (Calle Sarmiento, 3.131 – dá pra chegar de metrô. 35 pesos).

Achei muito doido: eles foram pra BH e se apresentaram com o Tizumba no Conexão Vivo de 2011! ❤

O grupo argentino não tem cantores, mas às vezes chama um para fazer uma participação especial. Vá com sapatos e roupas confortáveis e não se atrase!

Confira informações e horários de apresentação: http://www.labombadetiempo.com.ar/esp/

– Ir a uma milonga dançar o tango TRUE

Assistir uma apresentação de tango pode ser legal, mas ir ver as pessoas dançando de verdade – e participar também – é muito melhor!

A milonga que mais me recomendaram é a La Viruta. http://www.lavirutatango.com/

Lá, além de poder ir dançar, existem também aulas de tango, milonga, rock e salsa. O valor da entrada é o mesmo (30 pesos), mas se você chegar cedo, nos horários de aula, dá pra ensaiar os primeiros passos antes de a pixxxta começar a bombar.

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PERDÍVEL:

– Caminito

Ele é uma “rua-museu”, ou seja: uma armadilha para turistas. Ninguém vive lá, o bairro La Boca (lindamente retratado no filme Tetro, do Coppola) não tem nada a ver com essas casinhas coloridas e todos os estabelecimentos são lojinhas querendo o seu dinheiro. E nem é tão pertinho pra você simplesmente “dar uma passadinha”, sabe? Poupe seu tempo e vá passear de bicicleta por Tigre que é melhor.

– Ônibus de city-tour

Tudo que tem “turístico” no nome já me dá arrepios de desconfiança automaticamente. Em Buenos Aires, então, onde tudo é plano (lindo pra caminhar!) e o sistema de transporte público é fácil de entender, não vejo porque você gostaria de ir conhecer a cidade dentro do ar condicionado de um ônibus, rodeado de turistas americanos e japoneses.

E o treco ainda é caro: 60 pesos por um tíquete que vale 24h e 90 por um que vale 48h.

Se você quer ir pra Buenos Aires pra fazer “check-in” nos lugares turísticos, acesse aqui: http://www.buenosairesbus.com/

– Alfajores Havana

Seriously, com tanto produto argentino delicioso você vai escolher levar justamente o que vende no Brasil de presente pra família?

Se quiser mesmo levar alfajores (concordo, eles são sanduíches de delícias), invista em um alfajor El Cachafaz ou Abuela Goye, que custam quase o mesmo, são mais gostosos e não existem do lado de cá da fronteira. Os baratinhos Jorgito e Milka Brownie também estão entre os meus favoritos, hehehe.

E vale lembrar que alfajor não é tudo igual. Cada região da Argentina tem a sua maneira de fazer alfajor. Esses da Havana, com uma massa meio biscoitosa e recheio de doce de leite, são do estilo patagônio. Já em Córdoba, os tradicionais são feitos de uma massa quase que de bolo, com recheio de geléia de frutas. Na província de Santa Fé, eles são camadas de massa folheada com recheio de doce de leite recobertos com açúcar impalpável. Existem ainda outros tipos, mas estes são os que eu já provei 🙂 O melhor jeito de conhecer é mesmo comendo, hahaha. Tente compensar as calorias nas caminhadas pela cidade.

– Compras na Calle Florida

Já se foi o tempo que era muito mais barato comprar roupa na Argentina. E se ainda existem barganhas, com certeza elas NÃO estão na Florida, a rua mais cheia de turistas por metro quadrado de Buenos Aires. Tem até vendedor oferecendo os produtos em português! Eu já aprendi: nada além de McDonalds, Burguer King e outras cadeias de restaurantes custam o que valem na Florida. Se você encontrou uma barganha, desconfie: provavelmente é mercadoria chinesa que você encontra igual no Brasil – as vezes até mais barato.

E agora que os “manteros” (aqueles camelôs que ficavam na Florida) saíram de lá, não dá pra comprar nem artesanato pra levar de lembrancinha.

– Feirinha de San Telmo

Fiquei na dúvida se colocava essa feira ou não… é que assim… ela não é ESPETACULAR nem IMPERDÍVEL. Os preços das coisas são OK e encontra-se muita mercadoria chinesa que vemos aqui também. Mas ela também não é uma total perda de tempo (como o Caminito). Então assim: a não ser que você esteja desesperado para comprar souvenirs de viagem ou seja um colecionador de antiguidades (a feirinha da Plaza Dorrego, no fim da Defensa, é fofinha), perca a feira.

Ela só acontece aos domingos e ocupa toda a Calle Defensa, do centro ao coração de San Telmo.

Pontos positivos: achamos um presente legal para uma tia minha (um baralho de cartas com letras de tango, feitos pelo cara da banquinha e sua filha – diz ele, né?) e uma massagem ~mágica~, oferecida por um hippie especialista no assunto (na foto acima, minha irmã Elisa descansando os ombros).

Quem aí conhece Buenos Aires? Conseguem pensar em mais atividades imperdíveis? E em outras furadas a evitar?

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Comments
6 Responses to “O imperdível (e o perdível) de Buenos Aires”
  1. fredbottrel disse:

    Almoçar e comprar no Shopping de Design da Recoleta é imperdível. Jantar e caminhar em Puerto Madero também. Assistir uma boa peça na Calle Corrientes é bacana – mas tem muuuita coisa ruim por lá também. Dica de acerto é ver algo do Daniel Veronese, dramaturgo e diretor argentino contemporâneo que tem peças incríveis. Vi uma, em um teatro de bolso que nem na Corrientes ficava, que era sensacional.

  2. Julia Flor disse:

    Guria, comprar livros na Corrientes é imperdível. Os sebos de lá tem preços que não se acha aqui desde 2004. Encontrei também algumas lojas que estocam aquelas coleções de livros que vem em jornal (tipo grandes clássicos e biblioteca argentina) e custam uma miséria. Eles ficam na Corrientes lá pelo número 1700-1600.

    • Tiago Pissolati disse:

      Concordo totalmente com seu post. Outra furada que eu achei foi o Café Tortoni. Caro, atendimento ruim, comida e bebida passáveis, só fica como ponto positivo o lugar. Que é difícil de curtir, já que é frequentado por hordas de turistas. E algo imperdível que achei foi o zoo de Luján, que fica na província. Os bichos ficam soltos e você sai bolinando até o leão. Achei divertidíssimo.

  3. Maira disse:

    Adorei o tópico do “Ônibus de city-tour”, haha. Também não entendo esses turistas preguiçosos…

  4. fernandasouza disse:

    A dica da Corrientes é ótima! Comprei muitas preocidades a preço de nada. Para mim o roseiral do Parque Tres de Febrero é imperdível, o jardim japonês e o museu de belas artes. Tomar um clericot em Palermo soho… e en San Telmo adoro as reproduções de propagandas antigas, mas isso na Europa tá cheio também. Adorei a dica de Tigre. Ah o Hipódromo de arquitetura francesa é lindíssimo e uma visita guiada no centro islâmico (use roupas comportadas) que fica pertinho. Como nunca tinha visto uma mesquita na vida, fiquei encantada. E eles são bem convincentes que tu quase tem vontade de se tornar islâmico hehe

  5. fernandasouza disse:

    Ah o Malba esse é mesmo maravilhoso. sortuda eu não consegui tirar uma foto e depois cada vez que via um turista “sacar” a câmera avisava que era proibido hehe

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