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damas chinesas

Começou a cair. Primeiro por dentro, quando soube do fim de seus sonhos. Não teria mais casamento, filho, reputação. Era o fim de sua vida perfeita.

Não se importou em tirar o vestido caro, alugado perto de casa, nem os sapatos de bailarina que foram de sua mãe. Nem as joias da Tiffany que eram da família dele.

Queria cair  do prédio indefinidamente. Queria igualar as velocidades das quedas, de dentro e de fora. Queria parar de sentir aquela dor, para sempre.

Começou bem: o sol ameno brilhava lá fora entre a cortina de poluição que cobre sua cidade, os carros e as bicicletas passavam apressados pela avenida, o anel de noivado ainda brilhava em sua mão, as promessas – ainda frescas na memória – derretidas lá no fundo do estômago, havia uma brisa leve. E então caiu, como planejado.

Caiu e um milissegundo depois, desejou não ter caído, desejou recomeçar a vida, quem sabe fazer um cursinho de inglês, conseguir um emprego em uma lanchonete. Mas caía e já era. Fim.

Caiu por mais um par de milissegundos e parou. Alguma coisa a segurava, no sentido não-metafórico. Um príncipe encantado, fantasiado de auxiliar de limpeza, a segurava pelas mangas do vestido.

Apaixonou-se. Apaixonaram-se.

O casamento é amanhã. Não vai nem trocar de roupa.

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