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mas já?

Você já tem que ir? O dia ainda demora. Não foi a cotovia, foi o rouxinol que perfurou seu ouvido temeroso. Ele costuma cantar na romãnzeira: foi ele quem cantou, foi sim, amor.

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É a cotovia que anuncia o dia, não é o rouxinol. Estrias invejosas bordejam as nuvens do nascente. Foram-se as tochas da noite, o dia alegre já espanta a neblina do alto da colina. Posso ir e viver – ou ficar e morrer.

Aquela luz ainda não é o aviso. Acho que é o sol que manda um meteoro para clarear seus passos para Mântua. Fique um pouquinho mais: partir não é preciso.

Que eu seja preso em seus braços, eu imploro – e juro que é um prazer morrer assim. De fato, eu nunca vi aurora cor de cinza, e acho que o dia se vestiu de lua. Cotovia nenhuma deu a nota para que o sol cantasse em nosso quarto: Julieta é quem decide se eu fico ou parto. Eu só quero ficar, morte benvinda! Vamos, podemos conversar, é noite ainda.

Não, não é! O dia raia! Saia daqui, agora, meu amor! Embora cantasse, a cotovia é tão desafinada que confundiu o compasso em doces barras, pra nunca separar nós dois: o sapo – dizem – já teve os olhos dela; por que não a voz? É erro, engano, bruxaria: finge que é noite, mas, de fato, é dia. A nossa despedida é um “despedia”!…

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Mais nus e claros vão ficar os nossos males!

(mais sobre Romeu e Julieta, www.revistalivro.com.br)

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